Prometer esquecer o que se deve lembrar!


A dúvida ainda persevera impertinente em minha cabeça. Datas demarcam área? Marcam dias? Lembram fatos? Efemérides diárias?

Na Páscoa, por exemplo, vende-se muito chocolate. Relembram ideais que só se lembram na páscoa, ou no Natal. Sair de casa torna-se um problema nesses períodos. Caos nas estradas, preços absurdos, violência. Pior é que nada disso choca as pessoas. Afinal, quem nunca foi assaltado, ou pegou um “engarrafamento” tão grande quanto a Oktoberfest? Sofrer algo desse calibre é quase um mal comum para a sociedade. Se não sofreu ainda, vai sofrer. Aguarde. É brinde da vida.

Ideais, conceitos, idéias, alternativas e mais ideais. É muita idéia, não acham? Natal, Páscoa, Ano Novo… Sempre a velha estória de amar o próximo, ajudar os necessitados, matar a fome. Afirmo novamente: velha estória de fraternidade. Isso a torna experiente, pois os mais velhos são experientes. Por isso é velha estória. Não me surpreenderia receber críticas por essa afirmação. O único predicado que acrescentei aos ideais foi o adjetivo “velho”. Isso torna meu conceito ridículo? Esse é o costume que se tem de dar significados ao que só tem um significado. Mudar o imutável pelo simples hábito da preguiça.

Toda vez é isso. Um milhão de pessoas devem ter escrito sobre a páscoa esse ano. Se pesquisar sobre o sentido da páscoa no senhor Google obterá textos suficientes para ler até abril de 2035. São milhares de resultados. Certamente muitos passarão na peneira por serem tão iguais aos outros.

Gostaria de saber se estou sozinho nessa. Se estiver, continuarei na mesma, sem problemas. Se existe um complacente por aí, a causa não está perdida. Causa ou efeito? Pausa ou defeito? Continua a discussão, não se sabe de quê ainda.

Caminhar pelas ruas nessas datas especiais é como um negar-se a si mesmo. E eu teimo em acreditar que negar a si mesmo é morrer para suas vontades, convicções e objetivos em prol de algo ou alguém. Caminhar nas ruas é deparar-se com a miséria de muitos famintos, degradados filhos de Deus. Persisto e teimo no conceito da compaixão humana. Se eu miro a miséria e não me compadeço da mesma, logo eu nego a mim mesmo. Vendo o sentimento de bondade humana que eu também acredito que seja brinde da vida. Uso o “vendo” das diversas formas que se pode usar essa palavra. Vender, vendar, ver… Não ver!

A dúvida persevera impertinente em minha cabeça. Para que servem as datas? Já sei, servem para demarcar áreas, dias, lembrar de fatos, efemérides… Mas qual o sentido de marcar um dia fixo para lembrar do que não se pode esquecer? Pra quê marcar no calendário um dia para prometer que não irá esquecer o que só se lembra em datas ditas especiais? Pode deixar então que nos domingos e feriados, quando não estiver na rua, no shopping, ou em qualquer lugar de “alegria”, eu prometo esquecer o que se deve lembrar. Paradoxo querendo me enganar. Ortodoxo à me ludibriar.

Diego Schaun, 24 de Abril de 2011

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15 comentários sobre “Prometer esquecer o que se deve lembrar!

  1. “Afinal, quem nunca foi assaltado, ou pegou um “engarrafamento” tão grande quanto a Oktoberfest? Sofrer algo desse calibre é quase um mal comum para a sociedade. Se não sofreu ainda, vai sofrer. Aguarde. É brinde da vida”. Reflexão e provocação, como sempre tua marca registrada! Registro este de um texto que nos incita a pensar e refletir. Nos cutuca e nos provoca. Nos mobiliza a ação diante destes verbos tão “teus”. Verbos bem costurados… Pelo talentoso alfaiate! Parabéns!

  2. “Afinal, quem nunca foi assaltado, ou pegou um “engarrafamento” tão grande quanto a Oktoberfest? Sofrer algo desse calibre é quase um mal comum para a sociedade. Se não sofreu ainda, vai sofrer. Aguarde. É brinde da vida”. Reflexão e provocação, como sempre tua marca registrada! Registro este de um texto que nos incita a pensar e refletir. Nos cutuca e nos provoca. Nos mobiliza a ação diante destes verbos tão “teus”. Verbos bem costurados… Pelo talentoso alfaiate! Parabéns meu lindo! ♥!

  3. É, parece hipocrisia comemorar e falar dessas datas e encher o coração de espírito bondoso pra depois sair detonando a galera, rsrs, ma uma coisa se chama tradição e a gente vai passando de um pro outro sem notar. E, vamos combinar que encontrar a família nessas datas é bem legal, eu, particularmente adooooro almoços de Páscoa, Dia das Mães, ceia de Natal, etc e tal. Sou imperfeita e humana e a vida segue…

    • Sua crônica é perfeita, assim também sinto passar estas datas especiais: Um consumismo irreal, uma loucura nas ruas de qualquer cidadezinha, um olhar esperançoso da garotada sonhando com deliciosos ovos de chocolate ou com os presentes de natal. Engarrafamento chega ser normal; todo mundo sai com seu carro já esperando ficar parado horas no trânsito, e ainda muitos acham o máximo o acontecido e se glorificam nas comemorações! quanto mais tempo parado no trânsito mais histórias pra contar pra família, chega parecer competição… Quem demorou mais pra comprar um presente ou um ovo de chocolate? Ninguém quer sair perdedor, o pior é que não teem a menor consciência que todos saem perdendo. É isso! Ótima crítica ao “consumismo” com data marcada!

  4. Nesse nosso mundo a hipocrisia sempre reinou. Nessa nossa geração, ela ainda está mais forte. Indignante é, verdade, chega até ser desesperançoso para os homens de mente fraca.
    Sem mais, concordo plenamente. Parabéns pelas palavras, ótima crônica.
    Abraço.

  5. Parabéns, muito bem escrito as ideias super bem colocadas no post. Eu concordo. É bem triste ver a mecânica de vida da maior parte das pessoas hj, principalmente quando entramos em datas comemorativas como a Páscoa por exemplo.. chega a ser comovente o espirito de “solidariedade” que invade tantas casas ruas e cidades do nosso Pais.. Mais comovente ainda ver que após pouquissimo tempo, passado as “festividades”, tdo o “espírito” das “mudanças”, da solidariedade, da bondade, da ” velha estória de fraternidade”, sai voando pelo espaço e fica lá, escondido, a espera de uma nova data comemorativa para se manifestar novamente.

    Você não está sozinho meu caro. Definitivamente não está. Muitos como vc, já estão saturados de td isso… Presente, eu sou uma” desses muitos”!

    Parabéns pela crônica.

    Gd beijo!

  6. Não vc não esta sozinho nessa…
    Sim existem outras pessoas q não se importam pq não viajaram e nao receberam ovos de pascoa, pq isso não é o sentindo das coisas, desta data e o outras tantas nao são o q tds pintam…
    Tudo é apenas um reflexo de um conceito de capitalismo selvagem, com um molhinho de falso amor ao proximo e acesos de bondade e fraternidade…detesto isso! Superficialidade e hipocrisia

    Natal, pascoa…e mais um monte

    E contrario a isso tudo, como um rompante de individualismo, tenho q me curvar e dizer q adoro essas datas…PQ?
    – No cinema vc pode rir a vontade e a pipoca esta quente, e mais, não tem pessoas mal educadas tirando fotos isso é um ponto positivo
    – Adoro pensar q posso passear pela minha cidade sem um breve congestionamento pq aki FERIADO = VIAJEM
    – e melhor de tudo ate os bandidos estão fazendo suas festinhas particulares
    logo posso me sentir um pouco mais livre…

    Tentando me apegar aos detalhes pra não ficar a merce da loucura

    Gostei bastante Parabens

  7. Cada dia vc me surpreende mais. Saiba que vc numca estará sozinho.Bom seria se a nossa caminhada fosse em direção a uma sociedade justa e fraterna todos os dias.
    Um abraço da sua mãe

  8. obrigada pelo elogio. Fico deveras lisonjeada, ainda mais vendo tanta sensibilidade por aqui. Fiquei encantada com uma música que ouvi sua (Todos por Nenhum)! Muito lindinha. Doce, daquelas que dá vontade de morar.

  9. Provocação.

    Pensava nisso nessses dias, Dia das Mães… pra que serve o dia das Mães? Movimentação comercial, filas, engarrafamentos. Se é alguém que se deve cuidar todos os dias, pois por um bom tempo ela foi quem cuidou de nós todos os dias, sem descanço. Acho que essas datas existem para nos tirar a responsabilidade oficial e obrigatória de lembrar dessas e outras “figuras” durante o resto (ou todo) do ano.

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