The Mala-Man! O retorno


A didática escolar está cada vez mais evoluída. Mesmo assim, muitos educadores buscam uma melhoria significativa no processo de ensino, principalmente na disciplina de História.

Existem rumores de que os jogos eletrônicos e demais atividades lúdicas estão ajudando no desenvolvimento educacional das crianças. Sim! Em determinados jogos online, famosos pelos gráficos e pela diversidade, apesar de tomarem as tardes das crianças e adolescentes do mundo, o aprendizado é notado, pelo menos inconscientemente.

Na maioria desses games o contexto é sempre o mesmo. Você é um personagem que vive em determinada época e tem que fazer algumas atividades para poder passar para o outro level. Todas as tarefas, roupas, nomes e objetos são de acordo com o período vivido (jogado). Como a computação gráfica tem crescido espantosamente, não é de se admirar que a reconstrução de períodos como a Idade Média na Europa e seus feudos ou cidades americanas do “velho oeste” sejam quase perfeitas e minuciosamente detalhadas aos olhos dos players.

Se qualquer forma de atividade, que não cause mal a si mesmo nem ao outro, ajude num profícuo desenvolvimento das pessoas, que tenha vida longa!

Mas, pensando nos representantes do povo na capital, imagino que a educação eleitoral das pessoas também poderia ter um up. Infelizmente é muito mais interessante para um garoto jogar DOOM (para os mais antigos, eu disse antigos) ou GTA, do que um game onde o objetivo é tirar o maior número de malas das mãos dos corruptos. The Mala-Man!

Seria tão empolgante ver um jogo onde em cada estágio os chefões fossem banidos e no final, na última batalha com o chefão maior, o ganhador conseguisse zerar (a mente) e aprender tudo de novo, inclusive a votar!

Os impostos têm aumentado demais. Mais uma prática antiga. Quer crescer uma nação? Aumente o imposto do povo. Quer ganhar dinheiro, muito dinheiro? Aumente mais ainda o imposto do povo. Até uma bola de futebol, para jogar aquela pelada descarada no final de semana, na real, custa apenas a metade do preço. E a outra metade? Vocês já sabem. Não foi para o brejo senão os sapos seriam ricaços, abririam igrejas e fumariam charutos na nova lagoa santa, onde nem Luzia teria voz nem vez.

Não resta mais nada. Aliás, resta um. Mais não é o jogo homônimo não, é o arcaico “joguinho da paciência”. Puxa uma carta dali, clica duas vezes no dois de copas e vira a carta que estava atrás. Era a dama que estava faltando para completar a canastra. Em seguida, os efeitos especiais soltam vários baralhos de uma vez, até cobrir a tela verde. Quem nunca jogou paciência?

Este jogo é o espelho da sociedade. Já vinha sendo usado pela didática da vida há alguns anos. Surtiu efeito, comprovando assim que a atividade lúdica, sadia e focada (por incrível que pareça) torna a sociedade mais centrada, calma, porém apática e conformada. Qual o problema em pagar 50% de imposto ao comprar uma bola, uma lata de leite em pó ou o pão nosso de cada dia?

Culpa do jogo! O jogo melhora, mas também piora. É ótimo que as crianças aprendam mais sobre a Revolução Francesa ou as taxas medievais da mão-morta, da talha ou da corvéia. Mas também seria ótimo se esses futuros eleitores aprendessem a votar, já que no ano que vem a batalha urbana irá confundir as jovens consciências e muitas delas, pelo cansaço ou por auto-enganação, abandonarão o jogo na primeira fase, achando que já passaram para a segunda, mas na verdade ainda nem venceram os chefões. Pelo contrário, foram os chefões que venceram! De novo!

Diego Schaun é músico, historiador e poeta.

Fale com Diego Schaun: diego.schaun@terra.com.br ou ou siga @DiegoSchaun no Twitter

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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