Os acontecimentos e suas normalidades


Geralmente, quando estamos fazendo alguma coisa e de repente dá tudo errado, o primeiro pensamento é: Que droga! Essa sensação é semelhante à de alguém que está tentando fazer uma pirâmide com cartas de baralho, e que na hora de montar a última fileira, onde só faltavam duas cartas em forma de triângulo, sopra um vento do além que derruba tudo… Dá um desânimo!

Todo mundo já passou por isso um dia. Um documento que se perdeu no computador, um dado errado do cliente que aceitou o cadastro de bom grado, a mudança para outro caixa no supermercado, quando na verdade a outra fila era muito maior, uma bela pisada num cocô de cachorro, (se bem que hoje em dia tá mais fácil pisar em cocô de gente), a falta do guarda-chuva na tempestade repentina… São tantos infortúnios que nos rodeiam que fazer um gol na gaveta da vida torna-se tão difícil quanto acertar os cinco números da quina.

Porém, existem acontecimentos que deveriam acontecer. As cartas ao chão podem ficar muito mais bonitas do que empilhadas. E tem até mais sentido. Deitadas no solo ou na mesa, as cartas fazem jus à sua real aptidão e propósito. Como a cigana poderia ler o destino dos outros com as cartas em forma de pirâmide? E nos jogos? Quem vai querer tirar o coringa da base, já que qualquer movimento poderia derrubar tudo?

O texto não é tendencioso. Não quero que o último parágrafo seja uma cartada final de afirmação no destino traçado e blá blá blá. Diversas crenças são semeadas por aí. Cada um puxa o fruto de qualquer galho e nem sempre pelo tato e visão se pode ter a certeza de que ele é podre ou doce. Tem que provar. Uns perceberão na primeira mordida. Outros comerão o fruto inteiro e mais tarde irão passar mal. Muitos passarão a vida se alimentando da fruta e achando-a uma delícia. Falem o que quiser, não faz mal.

E quem falaria? Todos têm medo de abrir a boca. Tudo tão tranquilo, trabalho legal, futebol no fim de semana, cervejinha com os amigos… Quem é que quer perder tempo com questionamentos, que só de olhar já dá sono? Não é bom ser repetitivo, mas para que a idéia crie raízes, a persistência faz-se necessária. Conformismo, essa é a palavra mãe, mestra, guia e objetiva quando o assunto sou eu, você e todos nós.

Não há tempo a perder. As coisas acontecem porque acontecem. Aqueles números 14:14 que você vê coincidentemente todos os dias no relógio do metrô são coincidências diárias, ajustes de horários, relógio biológico. Aquela mulher com crachá vermelho que passa por você toda tarde ao voltar do trabalho também é fruto da combinação de acontecimentos, nada mais. Por que essa tendência de ver significados em tudo?

Como disse acima, as coisas acontecem somente porque acontecem. E o motivo de você ter pisado naquele cocô foi você mesmo. Quem escolheu dar aquele passo e pisar no lugar premiado foi o seu cérebro. “Ah, mas eu não queria”. Entretanto a sua mente mandou seu pé pisar. E foi você o escolhido para entrar em casa, aguçar o olfato mais do que qualquer cão farejador do Bope e ser omisso como um edil em votação na câmara.

Pensar assim pode levar mais paz para a vida. O que é refeito depois de uma decepção fica melhor. A segunda versão diz mais que a primeira, ou não diz nada, já que o pouco que a primeira diz pode não ter qualquer sentido ou algo que se aproveite. De olhos fechados se enxerga melhor. Calada, a boca não mostra o seu sorriso, já que a janela do ego é muito preciosa para ser espreitada por qualquer intruso.

E se esse for o último parágrafo (deve ser), que a promessa acima citada seja cumprida. Como dizer que o destino está traçado, já que somos nós quem escolhemos o percurso? Você quis derrubar as cartas. Não queria? A vida quis. Aconteceu. Não se conformou? Remonte a pirâmide, mas antes, olhe todas as cartas ao chão. Entenda o propósito delas. Sem sentido algum, o fato fala mais do que o ato anterior. Nada acontece de supetão. Geralmente, o distraído é você.

Diego Schaun, 08 de Dezembro de 2011

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2 comentários sobre “Os acontecimentos e suas normalidades

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