Cresce o número de maquiadores do Brasil


O povo brasileiro sofre. Mesmo com a fama de que no Brasil habitam os seres mais felizes do mundo, é bem verdade que o sorriso, na maioria das vezes, é maquiagem para milhões de rostos em total desalento. Com certeza, a causa desse sofrimento é a falta de dinheiro, que por ora é o responsável pela alimentação, moradia, educação e a própria felicidade. Sim, as pessoas poderiam ser mais felizes com mais dinheiro.

Na falta deste e de muitas outras coisas, os olhos do sofredor ficam fitos no horizonte, no sobrenatural ou em algum templo da Universal. Como estamos falando de seres terrestres, esses olhos d'água, cheios de desespero, também recorrem às soluções do mundo ou aos milagres da Mundial. Pois é, são eles os responsáveis pela maquiagem.

Em toda história religiosa, os grandes líderes dos povos errantes eram pessoas despreparadas, analfabetas, sem qualquer instrução de dialética, retórica ou postura. Mesmo assim, esses chefes guiavam multidões a cruzarem quilômetros pelos desertos, sem nenhum conforto, ou algum GPS para guiar o caminho certo. Talvez fosse mais fácil. Não havia tanto dinheiro. Um punhado de sal valia muito mais que uma mala de cédulas (que ainda não existiam). Quem se arriscaria a levar alguns quilos de sal na cueca?

Só ressaltando que esse povo (também sofredor) do qual me refiro não era brasileiro. Muitas vezes eles se revoltavam com seus líderes. Questionavam as decisões e rompiam, migrando para outros lugares, à procura de outros guias ou deuses que suprissem a falta de alegria.

Nós, brasileiros, bem sabemos que por aqui não funciona desta maneira. A miséria que assola este país é tão grande que qualquer centavo atirado ao chão torna-se semente para o crescimento da fé no próprio homem. As pessoas desta Terra de Santa Cruz acreditam demais. Em tudo. Em todos. Por isso, muitos mesquinhos e hipócritas conseguem arrebatar multidões em qualquer garagem, na promessa de uma verdadeira transformação. Isso mesmo. Barba, cabelo, bigode, arcada dentária e batom. É preciso sorrir. Chega de sofrer!

Além de padecer, somos ingênuos. O brasileiro é tão experto quanto tosco. É gatuno ao ponto de fazer curso de maquiagem para abrir igrejas e bobo por acreditar em apóstolos, bispos, missionários e guias da Spiritual Fashion Week. Que adianta ficar indignado com esses larápios que roubam do povo se o próprio povo dá de bom grado tudo que tem? Culpa do sofrimento. A desigualdade social faz com que as pessoas atirem pra qualquer lado, principalmente patrocinando o sonho da riqueza material de maquiadores caras-de-pau.

A teologia já foi necessária para a instrução de muitos líderes espirituais. Mas, como todo pokémon pode regredir, o curso que mais cresce no país é o de maquiador. O segundo é o de Economia. Afinal, depois de desenhar sorrisos em rostos incertos, é preciso saber administrar o dinheiro certo.

Todo dia, na TV, a gente fica triste, indignado com as calamidades desses bandidos que vivem por ludibriar o povo inocente. Porém, a gente também sabe que as lideranças do país não resolvem, pois as três esferas do poder são corrompidas. Com tanta corrupção, quem poderá nos defender? O Chapolin Colorado? Não contem com esta astúcia!

Quando a bela adormecida acordar, este país não será mais um conto de fadas. Tornar-se-á apenas uma lenda, daquelas bem engraçadas. Era uma vez um povo tupiniquim, que acreditava em curumim, vivia infeliz, dava o que não tinha e sorria sem dentes. Quem precisa deles para engolir promessas doces de prosperidade em troca de cifrões?

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