Aborto: Mãe ou filho? Qual vida vale mais?


 

 
Seria muito mais fácil falar sobre qualquer coisa inútil no mundo. As besteiras proferidas são as mais lidas, mais comentadas, e repassadas pela rede. De fato, é de bobagem que o mundo vive e vive bem.
 
Geralmente, depois de casos sérios, como o de Wellington Menezes que assassinou várias crianças numa escola do Rio, ou os trâmites do STF, Supremo Tribunal Federal, em relação ao aborto de anencéfalos, os comentários inundam os rodapés das reportagens em diversos sites e blogs.
 
Quem tem curiosidade para ler acaba encontrando pérolas, porém, muitos dos comentários têm até sentido. Quando o assunto está relacionado ao homossexualismo, Igreja Católica, aborto, pré-conceito e alguns tabus, reinam no post text um alterego medonho. Em reportagens referentes a Deus ou temas religiosos, por exemplo, os ateus falam com tanta contundência que parecem até crentes.
 
Os que se dizem mais sensatos sempre defenderão suas teses. É próprio do ser humano querer estar certo em tudo, com tudo, sem “entretantos”. Por isso que, mais uma vez, a dúvida responde às interrogações. Meio paradoxo isso, mas funciona.
 
A maioria dos ditos “coerentes” afirma que o aborto é uma questão de saúde pública. Cristãos rebatem na contramão, dizendo que a vida é mais importante. E realmente a vida é importante para todos os lados, quase sempre.  É indispensável para quem vive e para quem mata, pois quem mata não morre e vice versa. Também é essencial aos céticos, para que pensem e não consigam responder. Fundamental para os religiosos, pois assim vivem entre si e esperam outra vida melhor. Imprescindível para os ateus, já que a vida é a única coisa real e o tempo é curto.
 
Tantas congruências só poderiam gerar conflitos. Multidão é barulho. As mãos juntas soam demais. Coçam. Tremem. A democracia ficou muito idiota nesses tempos atuais. Tornou-se uma palavra gancho, como feedback, hobby, ética, moral e as inúmeras siglas dos grupos de orientação sexual que mudam a cada mês fazendo que com fiquemos sempre desatualizados.
 
Ainda sobre o aborto, todos estes amantes da vida aceitam que tirar um feto já morto é justo, já que a mãe não precisa levar um filho morto por nove meses. Todavia, os anencéfalos não estão mortos. Continuam crescendo, se desenvolvendo, respirando dentro do útero. Estaria vivo? A ciência acha que prova.  Não dá 100% de certeza. Fica a critério da mãe. Vai tirar? Ele pode morrer. Pode.
 
Os religiosos, a favor da vida, defendem a bandeira da preservação da agora famosa vida humana. Como é permitido num estado dito democrático, eles fazem manifestações, tentando de alguma forma chamar a atenção dos representantes da nação, para que estes relevem suas opiniões. Essa massa, que, juntamente com os céticos, cientistas e dotados de grande “saber” ou poços de sensatez também vota e tem os mesmos direitos e deveres segundo a colcha de retalhos de 1988. Tantas emendas, não?
 
Debatendo o tema nas redes sociais, se percebe que os que defendem o direito de aborto, pensam exclusivamente na mãe, na vida da mãe. Em último caso, é preciso fazer uma escolha. Cara ou coroa: Deu a mãe, então a salvem e matem o feto, zigoto, anencéfalo ou qualquer coisa que habite o útero da mulher. Essa coisa pode ser tudo, menos vida. Seria assim?
 
Já os religiosos defendem que, mesmo que haja 0,001% de chance daquele bebê, que não tem todos os tecidos cerebrais possa nascer e viver parcos segundos, ainda assim ele deve ter o direito que todos os ministros do STF, padres, freiras, pais, mães, céticos, ateus, deputados, vendedores, leitores e estudiosos tiveram… O direito de nascer!  Se, por ora, esta vida for interrompida dentro do ventre, será um assassinato, como uma injeção letal, ou uma bala perdida que mata um inocente. É morte e provocada, com hora marcada e futuro certo. Féretro de vidro e flores de formol.
 
Olhando para os dois lados, nenhuma resposta é favorável. No final das contas os prós e os contras só querem uma sociedade mais justa, desenvolvida e feliz. Os que põem a boca no trombone para tocar as melodias que acham corretas são remotos representantes da Ética a Nicômado de Aristóteles. A diferença é que o mundo de hoje é quadrado e cheio de gente quadrada. O Brasil é um país que amadureceu e continua verde. Está quase ficando podre, mas ainda não caiu do pé. Os bichos da goiaba nem sempre vencem. Às vezes acabam na garganta de um desavisado. Nós.
 
 
Siga o músico Diego Schaun no Twitter @DiegoSchaun
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