Críticos e mártires. Nada a ver.


Existem diversos tipos de vivências. Muitas delas são enfadonhas. A vida do crítico, por exemplo, é chatíssima. Imagine o dia a dia de alguém que respira criticando, arrota sugerindo e boceja falta de soluções? É de dar dó, numa longa semibreve.

Por incrível que pareça, com toda essa maré de conspiração, os críticos ainda são como o sangue dos mártires cristãos nos primeiros séculos: Semente! Morrem cinco, nascem dez. O que será que há de tão atrativo na crítica? Na pura crítica sem sugestão de melhorias, apontamentos ou alvos? Eis a problemática!

Tudo na sociedade é defeituoso. A saúde é ruim e ineficaz em muitas vezes. Educação precária não é novidade. Violência é a resposta para tudo. Corrupção, religião, futebol, sexualidade, racismo e todas as tags que estão em voga no momento são exemplos de imperfeições. Ora, quando se faz uma crítica a algo ou alguém, espera-se que aquele ou aquilo melhore, numa próxima vez (se houver). Entretanto, tudo é regido por humanos, deixando clara a deformidade da gema, digo, do todo. Como esperar perfeição da imperfeição? Impossível.  Por isso torna-se enfadonha a arte da crítica (da má crítica).  

Nesta semana, aconteceu um caso corriqueiro. Um psicanalista ofendeu uma funcionária de um cinema em Brasília. Ele, por se achar superior às outras pessoas, não quis esperar e cortou a fila. A funcionária, ao tentar impedi-lo, foi agredida verbalmente. O homem disse que ela deveria “ir para a África cuidar de orangotangos”. Segundo vários órgãos da imprensa, o médico não será indiciado por crime de racismo e sim por injúria discriminatória, pois a lei do racismo só se justifica quando existe a segregação. Ou seja, pode-se ofender um cidadão negro tranquilamente, contanto que não o entrave em universidades, bares, hospitais, filas de cinema, igrejas ou a própria calçada. No máximo, a pessoa será indiciada por injúria discriminatória, mas “racismo” nunca. Flagrante? Jamé! Não é?

A própria lei antirracista é racista. Tudo bem, na prática haverá o processo e o médico responderá pelo ato. Será injúria discriminatória. Mas não será racismo. E qual a diferença entre ambos? Sabe Deus! Ele foi e não foi racista? Vale à pena fazer uma crítica sobre a lei e suas complicações? Claro que sim. Por isso existem milhões de críticos assistindo quatro telejornais ao mesmo tempo caçando notícias chamarizes. “Isso pode ser uma boa glosa”.

Talvez, o motivo de tanto crescimento dessa “criticada” é o puro amor pela escrita, que nesses tempos atuais está crescendo para os lados. Os mártires dos primeiros séculos morriam por uma fé tamanha. Os leões do Coliseu devoravam suas vísceras e estas, ao caírem no degenerado chão romano, “germinavam” e floresciam em novos crentes. Com os críticos as coisas acontecem quase assim. Quase. É o mesmo efeito em outra causa. Eles concorrem entre si. Existe uma corrida por argumentos chamativos e rimas rimadas desenfreada. Pena que não se preocupam com o ponto de seguimento. Ele sim, ao terminar o parágrafo, mesmo que seja o  último  do texto, nos motiva a mudar algo ou repensar o episódio.

Resumindo: Criticar o feitio do homem sem perspectiva de mudança é o mesmo que pisar em fezes e nunca mais limpar o sapato. Saber que tudo sempre será falho e que como diz Djavan, o coração de quem ama fica faltando um pedaço, deixa a vida mais feliz, porque nos faz mudar na hora certa,dando um passo gradual para frente, e não pr’uma armadilha. Um texto que termina com ponto final acaba ali. Verrinas cicerônicas finalizadas em ponto de seguimento só terminam amanhã.

 

Siga o músico Diego Schaun no Twitter @DiegoSchaun

 

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