A educação não pode ser prioridade do governo. Seria o fim deles.


 

Acabou, chorare! Fazer o quê? Realidades assim deveriam doer menos em nosso ego, quase “cêntrico”, quase excêntrico, quase nada. A busca de felicidade não é a meta de um só. Todo mundo quer ser feliz. Cada um de sua forma. Manter-se no alto é o primeiro mandamento. Permanecer com a barriga cheia, arrotando banana é a lei dos poderosos. Ótimo, que continuem assim. Afinal, todos querem alegria e pés fincados no cimento.

Essas pessoas, donas do nariz do país, dão grandes exemplos aos desnorteados. Os governantes são perfeitos na arte das colunas. Conseguem sustentar qualquer laje. Aguentam qualquer vendaval. Ninguém consegue derrubá-los do alto. É o primeiro mandamento em prática. Eles precisam se manter.

Para que tudo isso ocorra na vida destes nobres mortais, a grande massa (eu, você e toda a plebe rude) que anda apressada e tenta ser um pouco feliz se faz submissa. Como? Através do voto. Cada apertão no botão verde equivale a um tijolo, que é bem encaixado na coluna que sustenta as excelências. Quanto mais apertos, melhor. Construção fortificada não cai. A necessidade de tijolos em larga escala é imensa. Ou seja, os operários não podem falhar com a irrisória contribuição. Só uma lajota!

Para contribuir não precisa de calos nas mãos, nem no cérebro. Tudo é bem simples. O governo faz uma maquiagem com alguns projetos “ditos” interessantes, salva uma parcela de pedreiros livres (que não são maçons) e faz jus novamente ao primeiro mandamento: Permanecer, manter. Neste caso, o que se mantém é o já conhecido descaso com a educação. Este sim é um cumprimento essencial, infalível e de sucesso comprovado. Graças a ele os governos permanecem estáveis, os ricos enriquecem mais, e o povo permanece na inércia.

Atualmente, a Bahia padece numa greve de professores terrivelmente feia. Greve sempre é feia. A gente vive num planeta que nunca parou de girar. Qualquer parada de poucos é o retardo de muitos. A greve continua ridícula porque só visa melhorar uma parcela das pessoas: Professores inconformados com o salário. Sempre ele, o tal do salário.

Todos sabem que os funcionários públicos (boa parte deles) ganham muito mal. Nada mais justo que um aumento. Porém, nem sempre a crescida dos cifrões melhora a educação. Quem já estudou em escola pública, principalmente na Bahia, sabe que existem muitos professores que ensinam bem, bem além do esperado. Ganhar por mérito é nobre. Liberar vinte minutos mais cedo é pobre.

Mas, como a felicidade precisa ser mantida pelos que a detém, o melhoramento da educação fica pra segundo plano de metas, quando Juscelino reencarnar.  Quanto mais educado for o país, mais educado será o povo. Se bem que aqui no Brasil, a educação vem colada no cordão umbilical. Milhões de pessoas são educadas e não sabem ler. Porque saber ler é um detalhe e a cúpula governamental já descobriu isso há muito tempo.

Em 1972 os Novos Baianos profetizaram, na música ”Acabou Chorare”, os que estes novos baianos, 40 anos depois, estariam vivenciando. Um mês de greve gera atrasos. As férias já foram comprometidas. A ceia de Natal será na carteira escolar e os professores estarão lá, com cara de peru. Em casa e despreocupado, o governador irá fulgurar com maçã na boca e rabo espichado. E depois reclamam que os jovens não têm educação de qualidade. Quando terão? Nunca. As colunas não podem ruir, porque manter o povo burro é primordial para a sustentabilidade dos que nos governam. Sem tijolos, não há construção. E sem paredões, se enxerga melhor, para poder andar tranquilo e tentar ser feliz honestamente. ”Acabou chorare, no meio do mundo, respirei eu fundo. Foi-se tudo pra escanteio, vi o sapo na lagoa, entre nessa que é boa.” O tempo está acabando. E aí? Vai encaixar seu tijolo na coluna ou deixar buracos no muro para nossa alegria?

 

Siga o músico Diego Schaun no Twitter @DiegoSchaun

 

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