Alckmin, um médico que não conhece as leis de Newton.


 

A vida é uma caixinha de surpresas, não é Joseph Climber? Sim, como não. A cada esquina tudo pode acontecer, e essa adrenalina faz o ato de viver uma experiência única. Esquecendo a ambiguidade além da redundância, só sabe o que é viver quem vive, e pra valer.

Muitas coisas causam adrenalina. Uma queda livre, um passeio na montanha russa, uma bronca do chefe, uma gafe, voltar pra casa nos trens paulistanos e muitas outras coisas. Sobre o uso do trem metropolitano, a adrenalina é realmente forte. São muitos sentimentos misturados. Raiva, alegria, seriedade e sarcasmo. O resultado de tanta mistura não é tão bom quanto se espera de certas misturas excêntricas.

Quase todos pagam impostos. Esse é o problema. Tudo o que é imposto torna-se mal feito. Em todos os sentidos. Forçar a barra é pior. Pagar tributos também. Que adianta ficar em dia com o governo se os seus representantes não conhecem as leis da Física? Isso é quase um crime! Para governar com clareza deve-se pelo menos torcer pela Portuguesa, não rimar com calabresa, levar uma foto do Einstein na carteira e ir de Osasco até o Grajaú de trem, em pé, às seis da tarde, pelo menos uma vez na vida. Ah se todos pudessem fazer isso…

Sofrer é lindo! Nós amamos sofrer. Tanto que sofremos em alegria passiva, com gostinho de quero mais. Claro que ninguém deve sair para a avenida Paulista no sábado para cobrar alguma coisa. Ia ser uma loucura! Vai que os amantes da verdinha convençam os usuários dos trens a aderirem a causa? Aí seria a marcha a favor do Trem Diamba! Deixa isso pra lá!

Alguém precisa levar o Alckmin urgentemente para a escola. Ele tem que aprender as leis de Newton. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço! Se bem que essa lei é meio contraditória, já que Newton não teve a oportunidade empírica de estar na Sé às seis da tarde de uma segunda-feira qualquer. A câmara poderia votar num novo projeto, mais importante do que, por exemplo, o dia da sanfona, mudança de placas de rua, ou não poder mais consumir comida nos ônibus. Por que não criam o projeto: Paguem um curso de Física por correspondência para o governador! Com certeza, se isso for aprovado, será de grande valia para o povo, os verdadeiros nerds que alimentam as panças do legislativo.

E a Portuguesa? Será que o Alckmin torce para a lusa? Acho que não. Se torcesse não deixaria os cidadãos voltarem pra casa numa lata de sardinha. Quem já viveu ou vive esta experiência sabe bem como é dolorido. Ao ver tal espetáculo, lembrei com facilidade de algumas cenas do filme A lista de Schindler. As pessoas são chapadas, empilhadas, empurradas e espremidas nos vagões rumo ao campo de concentração. Seria a estação Santo Amaro uma nova Auschwitz? Talvez não, pois quando a porta se abre o trabalhador sente-se livre para a vida e não morre intoxicado por gás. Claro, sem levar em consideração a olência que o vento trás do rio Pinheiros.

 

Siga o músico Diego Schaun no twitter @DiegoSchaun

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s