Se o baiano é burro, eu sou um jumento que sabe ler.


 

Se eu buscasse refletir sobre o verdadeiro sentido da crença na tese baiano=burro poderia me dar mal. Perder tempo com inutilidades ou aptidões preguiçosas de certas pessoas é o mesmo que pisar no cocô só para andar com maciez nestas calçadas pedregosas.

São Paulo é uma cidade privilegiada. Todas as obras de arte que passam pelo Brasil permanecem na capital paulistana por semanas, meses, anos. Ficam aqui até voltarem à casa de naftalina. Talvez, essa supremacia falsa tenha implantado no cidadão paulistano um ar de cult, ciente dos fatos, conhecedor do supremo e dono da verdade.

Nunca vi cidade mais suja, nojenta, bagunçada, desorganizada e sem sentimento. E por sinal, esta metrópole é a porta de entrada do país. Não é à toa que o Brasil é mal visto lá fora. Não me venham com esse papo de crescimento econômico, China, e outras informações tão importantes quanto à quantidade de pulgas que qualquer vira-lata tem. Se a crônica fosse sobre a beleza da terra da garôa muitos iriam dizer: "Isso porque você nunca foi em tal bairro". Somos felizes porque vivemos insatisfeitos. 

Os baianos só são rechaçados por causa da aparente mudez. A mesma sujeira, bagunça e miséria que habitam a capital também estão presentes na Bahia. A única diferença está no caráter. E o caráter, quando o assunto é ser humano, é muito valioso. Os desprovidos dele não entram na categoria “humana”. Sabe-se lá qual categoria seja. Volto a dizer que a crítica pela crítica é vã. Uma minoria representa essa má educação. São Paulo também acolhe e tem pessoas de alto calibre, com personalidades únicas e comportamento honesto em demasia.

A parte podre do fruto é apenas uma parte. Nenhuma fruta já nasce podre. Os gaudérios, coitados, perdem tempo com leituras ao pé da letra porque não têm qualquer capacidade de conhecimentos além da semântica à primeira vista.  Vivem ocupados em farejar chorume, advindos de algumas bocas, loucas por uma oportunidade em algum megafone palpável ou online.

Nada pode embasar a fé na burrice dos nordestinos nem de outros tinos. O fato de frequentar museus, ouvir adolescentes que misturam triângulo com shitar e falar esperanto não é causa nem efeito para ser superior, conhecedor e um tanto sujo. Todos são sujos. Por isso somos iguais.

Não se deve sentir pena de ninguém. Quanto mais de alguém. Muito menos de nós. Um pedaço não pode ser a cara do todo. Se assim fosse, acreditaria que em Varginha todos são E.T.s ou que todos os corinthianos são violentos. Isso sim é burrice! Crer que os famélicos podem responder pelos que comeram um pouco mais de multimistura é loucura!

Quiçá eu deixe de ser jumento, porque ser equino e saber ler e escrever já não encanta mais os cultos. Preciso aprender a caminhar pelo MASP sem fazer barulho. Algo meio difícil quando se calça ferraduras.

 

Siga o músico Diego Schaun no twitter @DiegoSchaun

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