Doentes mentais são tratados de forma desumana no Brasil.


 

Seria bem pior se tudo fosse mentira. Seria bem melhor se não existisse de verdade. Seria engraçado se não fosse corriqueiro. Seria sério se não fosse brasileiro!

Tudo que se cria na sociedade tem um motivo. Às vezes ridículo. Quase nunca é sério, mas sempre interessante aos olhos do criador, que também é criatura. As casas dos loucos também foram criadas. Atualmente abundam por aí, bem longe de Barbacena. Seus moradores são loucos. Os funcionários também são loucos. As aranhas nas paredes são loucas. Até a água escassa não tem um pingo de juízo. Jorra podre, temerária, doida para lavar os doidos, também chamados (quando convém) de doentes mentais.

Esta pátria amada guarda lebres demais em cartolas feias, surradas, vendidas a quatro por dez. A problemática da vez está nos manicômios, ditos extintos. Quem disse? Alguém no picadeiro, só pode. Nós, palhaços rindo de outros palhaços, caímos na piada e voltamos pra casa, para a vida, para o outro canal, para outro filme, para a cama, para o cheque, para a missa, para nada. Para nada! Nada para! Por isso continuam tratando os doentes mentais como sobejos que a sociedade não pode trocar por balas ou caixas de fósforo.

Há muito tempo pessoas vêm morrendo de frio e de ataques cardíacos em manicômios espalhados pelo país. Morrem com data marcada. Outros doentes mentais, do lado de lá, vestidos de branco, controlam os diferentes de forma silenciosa, omissa e fiel, dentro de muros altos. Ano passado foi realizada em São Paulo uma semana de debates e reflexões por parte de conselhos de psicólogos e psiquiatras como forma de trazer à tona o problema da saúde mental no estado de São Paulo e também no Brasil. Mesmo assim, a tortura ainda vive camuflada.

Os loucos não são interessantes para os governantes. Eles não votam, não entendem nada, não recebem dinheiro e não pagam impostos (o mais importante). Então, por que se preocupar com seres humanos que andam pra lá e pra cá sem noção de nada, rodopiando, com as calças sujas de bosta e a cabeça cheia de piolhos? Perda de tempo…

O país se mantém da seguinte forma: Manter a porcaria da educação como está para que ninguém se eduque e continue votando errado; Controlar os mais sabidos com aumentos percentuais de salários e alguns agradinhos, ou seja, hot dog acompanhado de shows mensais do Michel Teló, (um pão e circo do século XXI) e enterros em covas rasas dos restos que a sociedade não quer olhar.

Se os cães conseguem cavar buracos rasos, nós, vagabundos da caneta e inconformados com o caos, também conseguimos cavar, cavar e cavar para desenterrar a merda e espalhá-la no chão só para feder aos transeuntes apressados.

As pessoas só se importam com calos pisados quando os calos são delas. No dia em que qualquer psiquiatra (que hoje trabalha mal porque se acomodou) passar dias cheirando a mijo, com hálito cadavérico e sem respeito algum diante dos outros, as coisas irão mudar. Porque tudo muda quando eu mudo. Tudo para quando eu paro. Tudo é visto quando eu vejo. E tudo volta ao normal quando eu fecho os olhos.

 

Siga o músico Diego Schaun no twitter @DiegoSchaun

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s