Brasil: A Suíça Latina.


 

O Brasil finalmente está chegando ao topo de não sei o quê. A energia vai ficar mais barata, os índices de educação, saúde, exportações e outras coisinhas também aumentaram (para melhor). Arrisco em afirmar que o nosso país, em pouco tempo, será a Suíça latina. Ainda bem que você, caro leitor, não consegue enxergar meus dedos cruzados.

Lembro-me de discutir vários temas sociais e econômicos na época da faculdade. Na maioria das vezes eu falava mais do que devia, menos do que sabia e quase sempre bradava verdades que nunca acreditei. Esse discurso barato de economistas e executivos, pagos para enxergarem verde onde não existe não me convence. Eles vivem se equilibrando na tênue linha que divide o irreal dos reais. Bilhões de reais.

Antigamente (há poucos anos atrás) era muito engraçado fazer piadas com a miséria, o atraso e desorganização nacional. Recentemente li uma piada no facebook que dizia assim: “O fim do mundo em dezembro de 2012 foi adiado no Brasil por falta de estrutura”. Pior que isso é real. Pelo menos assim o Brasil poderá se sobressair perante os outros países. Que outros? Em 2013 não sobrará pedra sobre pedra!

Atualmente, falar mal do Brasil é um perigo. O povo anda num nacionalismo nunca visto. Realmente nunca se viu gente assim, senão um ou outro Rui Barbosa por aí. A nação está crescendo, evoluindo. Era tudo o que a gente sempre sonhou. Competir cara a cara com a velha China e os EUA (Esparta Unida da América) é o ápice. O Brasil finalmente está chegando ao topo de não sei o quê.

A reflexão de hoje não têm nada haver com crescimento econômico, social, demográfico, espiritual ou o escambau. Talvez o que eu sinta seja mais uma variação das inutilidades necessárias a que me detenho. Antes, a merda era a conformidade e a melhoria um sonho. Hoje, a melhoria é uma realidade e o futuro é inconcebível. Por quê? Não sei. Não sabemos. Será que queremos saber?

O que as pessoas ganham, de verdade com todos esses índices que sobem e descem? De porcentagens e melhorias estamos fartos. Isso é tudo lorota. De que adianta exportar mais, melhorar significativamente, se ao sair pelas ruas, todo dia, as manhãs são sempre as mesmas? O homem que dorme na frente do prédio é o mesmo. As roupas dele são as mesmas. O preço do metrô é o mesmo (por enquanto). A alfabetização ainda é ensinada aos seis anos. As vogais são apenas cinco. No rádio toca a mesma canção chata. Os livros continuam caros. A cultura continua lá, depois das catracas. Será mesmo que nós queremos saber de alguma melhoria? Ah, mas a energia vai aumentar em 2013. O salário mínimo também ficará maior. Ficará tão grande que sua dízima periódica não caberia neste espaço. E isso basta.

Tudo bem. Não entendo bulhufas de economia. Por isso me afastei dela. Nunca me pré-ocupei com essas mudanças da nação. Porque minha falta de noção não me deixa perceber os resultados que estão aí, ali fora. As manchetes dos jornais além de lindas, planejadas e pagas, mancham meus dedos. Hoje posso afirmar que moro na colônia da Suíça na América. Ano que vem seremos como eles. Loiros, ricos, educados e comedidos, para cantar outro hino. Nas margens plácidas do Ipiranga boiam latas de coca-cola. Mas o resto é bobagem. Eles estão no caminho certo. Meio caminho andado. Meio passo em falso.

 

Diego Schaun no Twitter @DiegoSchaun

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