Fim do Mundo: Sinônimo da desesperança do homem.


 

Não. Não quero ser mais um contando as horas para o mundo acabar. Já passei por uma virada de milênio e nada aconteceu comigo. Nossos medos só interferem em nós mesmos, primeiramente. O problema não é o mundo acabar. O problema é o meu fim.

Existem diversas formas de sumir. O medo é uma delas. O bicho papão pode pegar. A bala perdida pode te achar. O avião tão seguro pode cair. Um grande elenco pode ser rebaixado. Ninguém vai ler o seu livro. Teu CD ficará arranhado, do nada. Frio na barriga. Não dá tempo para ir ao banheiro. Todos te esperam. Todos te esquecem. Ter medo faz parte. Mas é bom. Nem sempre é bom.

Os heróis se escondem do medo debaixo da cama. Os fracos cospem palavras. Ah, as palavras! Há cinco mil anos atrás o homem já dominava o bronze, o ferro e outros metais. Hoje, as crianças mais pequeninas já dominam com destreza o touch screen. Porém nossos grunhidos continuam os mesmos. As pinturas rupestres saíram das cavernas para os prédios e viadutos de São Paulo. A pedra lascada só está um pouco mais polida. Os alforjes ainda servem para as mesmas finalidades. A mesma cárie ainda fura nossos dentes. Depois de alguns dias sem banho, o odor é o mesmo. A carne ainda está na mesa. Os palavrões ainda estão na boca.

Os homens não se unem por prazer. União causa divisão. As divisões são os distintivos do homem. Ele precisa de uma patente, uma marca, um estilo, uma língua, um time, uma religião, um deus, uma banda, um medo.  Afastamento traz paz. Sibaritas da solidão.

Às vezes assisto àqueles documentários do canal Animal Planet. Os bichos (machos) sempre arrumam um jeito diferente para chamarem a atenção das parceiras (fêmeas). Isso não é uma regra. É claro que eles podem ter suas relações homossexuais sem problema. Eu nunca vi um mico-leão-dourado gay, mas pode existir. Seria bom se existisse. Afinal, os bichos são bem mais civilizados e nos dão exemplos de respeito mui notáveis. Bem, voltando ao assunto, esses animais, em época de acasalamento, se enfeitam, cantam, incham, correm, brigam, penam… Mas conseguem o objetivo. Os sapos coacham e enchem o papo de ar. O pavão exibe suas penas valiosas. O homem briga, fala palavrões e humilha o próximo, se for a ocasião.

Se este homem for brasileiro, aí é que a coisa fica feia. O homem brasileiro, quando quer uma mulher ou apenas usá-la ele faz artes que o demônio duvida. Corta o cabelo de forma ridícula. Usa roupas chamativas, talvez tentando ser como o pavão. Escova os dentes na hora de sair ao encontro da fêmea e estufa o peito, como se isso lhe desse inteligência, força e confiança. Na maioria das vezes é um fiasco.

A mãe natureza foi generosa com todos os animais. Sim, conosco também. Para vivermos em paz ou para conquistar a mulher amada basta usar os atributos que já nascem conosco. Não temos penas, mas podemos usar a educação. Nossa garganta não se enche de ar, como a dos sapos, mas nossa respiração pode ser controlada, para dar calma, paciência e respeito ao outro que fala, que anda, que chora, que foge e que almeja ser entendido.

A utopia me espera ali ao lado. Os idiotas sonham. Por isso eu sonho. Sou babaca demais para seguir algumas regras que ensinam a falhar. As divagações sobre o medo, a conquista amorosa e a cisão pró-união são especulações e nada mais. Elas são minhas especulações. Só minhas.

Acreditar em não acreditar. Ter medo da coragem. Rezar e rir do que fez. Ofender o outro porque ele é o outro… Já perdi as contas de quantas vezes escrevi/falei do homem como um projeto que deu errado. Leio histórias de pessoas conhecidas como Gandhi, Jesus, Confúcio, Martin Luther King, Mandela e fico motivado. Daí leio Mein Kampf, do Hitler, algumas linhas do pessimismo de Schopenhauer e ligo a TV para assistir esses programas vespertinos hemofílicos e o remorso invade minh’alma. A culpa é do mundo. É minha.

Não adianta a existência de previsões falhas de hecatombes. Disso as bancas de revistas estão cheias. O desespero dos revisteiros em estampar Nostradamus ao lado dos Maias é o último suspiro de uma sociedade que não acredita em um novo vigor ou uma nova era. Os abespinhados criam fins porque para eles a morte é o fim. Já que pensar em suicídio é pecado, que o mundo acabe. Todos morrem e ninguém tira a vida de ninguém. O fim do mundo é nada mais que o desespero do homem que já não acredita em si mesmo. Lamentável.

 

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