Janeiro é o décimo terceiro mês.


 

Para escrever qualquer coisa, basta escrever? Só escrever? Juntar palavras, rimas e pontos de exclamação? Para entender qualquer coisa basta entender? Ouvir? Anotar? Aceitar? Se todas as coisas fossem tão fáceis assim tudo seria um tédio. Tédio… O que é o tédio?

Às vezes, certas coisas nos são predestinadas. O inferno te espera na esquina. O beijo no final da rua. A benção vem após o abraço.

Existe coisa pior que dar adeus às férias? Nem sempre a gente consegue acompanhar os dias que se seguem.  Nem sempre. Hoje é sexta-feira, mas ainda estou na segunda, ou domingo. O tempo não espera o nosso tempo. Ele é cruel. O tempo.

Janeiro sempre traz esse ranço ofegante de cansaço. Janeiro é chato. Os jogos de futebol são chatos. De novo, o BBB. Material escolar sempre caro, e necessário, mas caro. Programas de TV em loop. Ruas paradas demais. Chuva. Insolação. Janeiro é chato como deve ser.

O primeiro mês do ano não tem cara de primeiro. Parece o décimo terceiro mês. O último, onde a esperança já acabou, depois do Natal, depois do “adeus ano velho”, depois do depois. Mas isso tudo é vaidade, da minha parte e da sua, ou só da minha mesmo.

A única coisa boa de Janeiro é que ele não dura muito. Passa rápido demais. As vestes brancas de ano novo nem secaram no varal e o carnaval já nos espreita. Porque o carnaval é superimportante. Muito mesmo.

Como tudo se encaminha para a entrada triunfal de Fevereiro, as coisas vão tomando seu lugar habitual. As crianças já não saem tanto. O cheiro de borracha nova é uma delícia. Parece chiclete. Os livros que a gente leu nas férias foram ótimos. Mas a gente já esqueceu. O que você leu? O que você ouviu?O que dançou? Comeu muito? Pouco?O suficiente? Que bom…

O início do ano é tão parado (do meu ponto de vista e referência) que até as notícias se repetem. Jornalistas falam das mesmas coisas. Comentaristas comentam os mesmos lances. Novos carros velhos são lançados. Novas músicas antigas são remasterizadas. Óculos do verão. Sapatos da moda, que já foram da moda outro dia. Novos prefeitos velhos. Novas formas de entreter. Outra igreja. Outro deus. Velha fé.

Toda vez que revivo Janeiros, sinto marasmos mil. É como se tudo tivesse congelado. Como se as coisas ainda fossem as mesmas coisas. E não são? Não, não são. É ano novo! 2013! As contas são outras. Os amores também. O salário aumentou. O leite também. A gestão é diferente. Mas as crises já foram anunciadas.

Sabe de uma coisa? É melhor cantar parabéns para São Paulo. Fim de Janeiro, sexta-feira, feriado, sono, último final de semana… Do mês, calma. As aulas retornarão em breve. As férias tornar-se-ão lembranças. O ano, enfim, se inicia. Até lá, esperemos acontecer alguma coisa de interessante. Já aconteceu? Não? Melhor assim. Melhora assim.

 

 

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