Escolher por conveniência nos faz gente.


 

 

É o fim do caminho. As mobilizações em prol da tradição elevam nossos egos. Quando o objetivo de conter as contendas torna-se uma falsa aptidão, os alarmes vociferam: É o fim do caminho.

É imprescindível vestir uma bandeira. Cantar um hino. Saber sobre vinhos. Conhecer a melhor safra. Crer em Deus. Abandoná-lo. Ouvir rock, ou criticá-lo. Noel Rosa, Sinhô, Donga, Garoto… Tenho que escolher o melhor. O pior. Embasar minha tese. Corromper a do outro. Que fanfarrice!

O que nos torna melhores? As escolhas? Maldita sociedade que nos aprisiona. A depender do que pensas é julgado lindo, aclamado gênio, desprezado cão. Porque se você, leitor, não optar por A ou B, será classificado taxonomicamente como chué, reles, sem pé nem cabeça, sem pai nem mãe, sem nada, sem ninguém, sem caminho.

Março é o mês de soar as sirenes que nos cobram entretantos. Não adianta escolher por escolher. Tem que saber cantarolar. Versejar. A liberdade dos tolos cobra-nos resultados. Porque o Papa se cansou. Fidel envelheceu. O assassino do torcedor boliviano é menor de idade (pra variar). Gil Rugai matou o pai, pois é mais fácil rimar do que incriminar. Muitos preferem criticar. Só gatos caminham pelos muros. E eu? Ah, coitado de mim. Sou gente. Tenho que escolher qualquer coisa e ser fiel a ela.

Mas tudo isso é uma baboseira. Minha cachimônia guarda cada coisa… Não posso golfar logros por aqui. Meus cabelos ainda são do jeito que são. Sem cãs. Sem preocupação. Só assim. Afinal de contas, você, que me lê agora, já fez suas escolhas. Optou por ler coisas melhores. Escolher outros cronistas, babar baluartes e enegrecer, com módicos paquetás, os cabelos esbranquiçados dos clássicos dos clássicos dos clássicos dos clássicos…

Pusilânime, covarde… Não levarei estes codinomes em meu féretro. Já escolhi meus ídolos, meus santos, meus inimigos e meus caminhos. Todos de mentira, mas os defenderei até a morte, porque é assim que tem que ser. Escolher o próprio caminho é muita liberdade para quem é quase livre. Mas a gente acha que é livre, não é? Vai dizer que não? Ah, claro. Existem aqueles que creem na escravidão.

As águas de março não fecham verões. Elas só nos cutucam. O ano já vai longe. O ano já vai tarde. As coisas são todas diferentes, mas são todas iguais. Quem tem topete para falar mal? Os carecas, embriagados de absinto. 

 

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