A simplicidade óbvia do novo Papa encanta as pessoas.


 

Quantas vezes ouvi a expressão: O corpo humano é uma máquina perfeita! Ora, máquinas perfeitas são perfeitas. Não erram. Ganham empatando… Que papo chato! Dá até sono. Nem os humanistas do século XVI enxergavam tamanho labor em nossas engrenagens.

Nota fora contexto: Criticar o homem de forma tácita nestas crônicas de outros dias é uma autoimolação. É como se a primeira pessoa do plural fosse uma só. Com a mão esquerda, a vítima segura um martelo e prega a mão direita na cruz que não carregou… Que viagem!

Bem, voltando à nossa revolução industrial, gostaria de dizer que nossos antepassados chegaram a uma conclusão sem o nosso consentimento. Eles pregaram a perfeição. A do homem. Não é à toa que tudo se encaixa perfeitamente.

Na semana passada elegeram um novo Papa. Todos os sites, TVs, rádios e jornais do mundo estamparam a foto do Cardeal argentino Bergoglio com grande destaque. Não é para menos. As coisas históricas precisam de documentação. Daqui a 10 anos alguém irá procurar pelas imagens da eleição de Francisco I no YouTube.

Tudo que o pobre Papa faz vira notícia. Melhor, vira virtude. Francisco, como sucessor de Pedro, primeiro Papa de Roma, tem o dever, nada fácil, de ser um exemplo de humanidade, integridade e limpador de vidros estilhaçados. Em sua eleição, não vestiu o pálio papal. Sua cruz peitoral não foi garbosa e ban ban ban como a dos papas anteriores. Não proferiu discurso em latim ou grego. Nem sequer citou Tomás de Aquino, Eusébio de Cesaréia ou Kierkegaard. Falou com as pessoas, andou em carro simples… É, parece que o Papa Francisco I fez com que rostos papais do passado se escondessem de vergonha. E é claro, a mídia está adorando tudo isso.

Fico aqui imaginando como temos a capacidade ilimitada de tornar a simplicidade, educação e dever em virtude. O que levaria a isso? O fracasso cotidiano? A violência e todas as suas prerrogativas antropológicas? O acúmulo da soja no porto de Santos? O quê gente? Por que achamos o máximo alguém levantar e dar lugar a um idoso num ônibus? Por que essa pessoa, que levantou para o velhinho, fica de pé com um meio sorriso se sentindo um herói, esperando algum olhar de aprovação?

Pensei tanto a respeito e não encontrei respostas. Porque estas coisas são assim e pronto. Os que tentam responder o fazem por medo ou insegurança. O Papa é ótimo. Adorei o estilo dele. A simplicidade, o esmero e até seu donaire, mesmo com recato. Mas ele é o líder de uma religião que prega o amor, a caridade. Ele é o sucessor de um pescador que morreu crucificado de cabeça para baixo porque “não era digno de morrer como o mestre”.

Tratar as pessoas com afeto, preocupar-se com os pobres e grassar a paz na humanidade é um dever um tanto óbvio para o Papa. Será que, por causa das histórias do passado (e quando digo passado, digo passado mesmo…) a gente desacreditou dos líderes cristãos?

Creio que o papado de Francisco será interessantíssimo. Desde o princípio ele vem mostrando que as coisas baldadas são baldadas. A vontade, os paradigmas e a vida, em todas as suas dimensões e circunstâncias, são mais importantes que as vestes, os ritos, os protocolos e as bajulações.

Quando a TV mostra mudanças significativas que Francisco vem fazendo no Vaticano, desde minúcias a biguanes, percebo um ar de “Nossa, ele fez isso e os outros não fizeram”. Marketing ou humanidade em plena ação? Aposto na humanidade. O marketing tem vida própria. Faz da merda uma arte só por sôfregas ocasiões. O Papa Francisco I é só mais um exemplo da máquina quase perfeita, que falha em alguns intervalos de tempo, e acerta entre estes mesmos intervalos. Enxergar virtudes em vidas corretas é airosidade demais da nossa parte. Não acham? 

 

Twitter @DiegoSchaun

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