Schopenhauer acertou. Mas era falso e nos fez mal.


 

Ninguém permanece o mesmo depois de ler Schopenhauer. Ninguém. Ou vira uma anta triste, cheirando a tédio, ou fica mais feliz por saber que as miudezas de felicidade durarão pouco tempo. Não sei se foi isso o que eu quis dizer, mas foi o possível do que se podia escrever.

A história se repete. Toda hora se repete. Chafurdar em papéis velhos é um prazer. A gente encontra escritos antigos, cartas esquecidas, idéias que falharam, acontecimentos, letras que mudaram, traças… Do nada, aquela piada ou aquela dinâmica de grupo que você fez na faculdade aparece. Você lembra. Ri. E, se for o caso, conta a história novamente para quem estiver ao seu lado.

Num feriado, como hoje, os cristãos relembram a “Paixão de Cristo”. Segundo a tradição histórica e cristã, Jesus de Nazaré morreu pregado numa cruz para salvar o mundo. No domingo subsequente o mesmo ressuscitou dos mortos, trazendo assim uma mensagem de esperança para todas as pessoas que criam nele.

Esta incerteza de viver após a morte ou morrer de fato após a vida está no âmago de cada um. Em que teoria apostar? Milhões de pessoas acreditam numa vida próxima, de felicidade, de amor, sem sofrimento e sem carne. Uma minoria ativa pensa o contrário. O nada deve ser a única certeza após o último suspiro.

Pensando racionalmente, é melhor imaginar um fim semelhante a um início. Eu não consigo suportar a ideia da finitude. Como poderei acabar assim, do nada? E minhas coisas? E meu violão? É inconcebível! Prefiro crer num outro lugar, até porque, quando eu chegar lá, sabe Deus aonde, eu poderei dizer pra mim mesmo: Eu sabia! Todavia, se após o nosso irremediável fim realmente não existir nada além do nada, não dará em nada.

O pobre filósofo Schops errou feio. Aliás, não sei ainda, mas prefiro apostar contra ele. Segundo o velho Arthur, “nós seremos, após a morte, a mesma coisa que éramos antes de nascer”. Show de bola. Ótima forma de se esquivar da própria incerteza.

Apesar de toda essa lenga-lenga, Arthur Schopenhauer foi muito importante para a história da Filosofia. A vida familiar de Arthur foi grande responsável por sua solidão. Se ele tivesse recebido mais carinho e apoio da mãe e do pai (que se suicidou quando o filósofo tinha 13 anos) a sua linha de pensamento seria outra. Não se pode depreciar uma criatura tão ímpar como o ser humano. O louvor de nossa aparente insignificância deveria ser mais brando, apesar de nossas imundícies e impunidades.

Talvez, tudo seja sofrimento, vontades e miséria. Um ser humano como Schopenhauer, que depreciava tanto a vida, o acordar, os vizinhos e tudo no mundo não poderia suportar este peso até a velhice. Eu esperava que ele se matasse o quanto antes. Não, ele morreu de embolia pulmonar. Só. Sentado no sofá de casa. Sumiu. No fundo, ele gostava de viver. Afinal de contas, esta é a melhor sensação que existe. Pena que não dá para dar valor à vida quando a perdemos. Pelo menos a nossa não. Só a dos outros.

E a história se repete. Prefiro apostar no porvir. Eu prefiro! Viver nas realidades de Schopenhauer é duro demais. O caminho da felicidade é a amnésia das sensações ocultas. Ninguém se preocupa em responder a perguntas que nunca ouviu. Sofrer a vida inteira por uma hipótese não rola. Prefiro fazer música, amar o meu amor e um dia dizer tchau, como se fosse "até breve". E se for?

 

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