Maluf ironiza na TV: Lugar de bandido é na cadeia!


 

Fazer previsões do futuro é tão brega! Por que tanta gente acredita em profecias? Faz sentido? Não, não faz. E isso não muda nada. Os justos continuarão morrendo e os gananciosos sobrevivendo, por enquanto. E por enquanto é muito tempo, viu?

Escrever faz bem. Porém, escrever emocionado ou indignado faz mal. Tudo o que fazemos sem consciência ou calma fica à mercê da incoerência. E o mundo adora textos vomitados e incoerentes. Primeiro, para criticar. Segundo, para criticar com prazer. Terceiro, por inveja.

Outro dia, estava pensando no livre arbítrio. Escolher, escolher e escolher. Escolher é um tédio. No fundo, a gente prefere que os outros escolham por nós. Claro, só as coisas ruins. Por exemplo: É melhor que os inteligentes escolham a vacina certa. É melhor que o vizinho vire policial. É melhor que o cara da periferia vire porteiro. É melhor que aquele outro ache a bala perdida.

Da mesma forma, escolhemos outros para ocupar os cargos do governo. Lá, estes escolhidos lutarão por nós. Farão o que a gente não tem saco para fazer. Serão peças fundamentais da sociedade, como o policial, o porteiro, o cientista e o defunto. Logo, estes caras, os eleitos, tornam-se ícones, ou mitos, ou simplesmente egocêntricos. E o que os egoístas fazem? Eles escolhem, diferentemente de nós, pobres mortais.

E Paulo Maluf escolheu. Não faz sentido falar aqui sobre seus crimes, acusações, seus cargos ou o minhocão. A Wikipedia escolheu fazer esta pesquisa e nós somos gratos. Só que, outro dia, assisti o Maluf numa propaganda do PP. Como um messias, ele dizia enfaticamente: “Lugar de bandido é na cadeia”! Automaticamente, meus neurônios responderam: E onde é o seu lugar, meu senhor?

Um homem de 81 anos, procurado pela Interpol, com fama de ladrão e sotaque clássico de libanês abrasileirado ainda é a escolha de muitas pessoas. Estas, pobres almas, escolhem o vizinho, o irmão ou o velhinho para fazerem aquilo que eles nunca fariam: Roubar! Sinceramente, eu não acredito que um cidadão que vote no Maluf não tenha plena consciência que está votando num colega de Fernandinho Beira Mar. A não ser que estes eleitores tenham escolhido a apatia. É, pode ser que sim.

E as pessoas ainda acreditam nas profecias. Pouca gente conhece as centúrias de Nostradamus. Na época que fora escrita, em meados do século XVI, o mundo estava em processo de Renascimento, juntamente com o humanismo e racionalismo. Que ironia desse tal Michel de Nostredame, não é? Escrever versos em decassílabos sobre o futuro e outras coisas num período de efervescência cultural, racional e científica tão grande é quase ridículo.

E hoje? Quase 500 anos depois, a gente vive da mesma coisa. O nosso mundo é o top dos tops. Tudo nos é suficiente. Inventar um pendrive do tamanho de um feijão nos dias de hoje não causa tanta euforia. Com certeza, Gutemberg causou maior furor no mundo com seu tipo mecânico do que Steve Jobs com suas maçãs mordidas. Nossas invenções não encantam. Não como antes.

Em 2013, apesar toda a evolução existente, as pessoas ainda acreditam em profecias. Paulo Maluf aparece na TV, prometendo segurança e trabalho com lágrimas nos olhos. Eu me pergunto: Por que ele não tem vergonha de aparecer assim? Eu escolhi o escritor tcheco Milan Kundera para responder. Ele, apesar de ter nascido em 1º de Abril, como meu pai, não mente nem a pau: “Nunca somos nós mesmos quando há plateia”. Eu escolhi não fazer parte da plateia. E vocês?

 

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