Feliciano tem que sair. E os outros?


 

Usei All Star por anos a fio. Sempre achei que meus tênis combinavam com tudo. Para qualquer ocasião, All Star nos pés. Isso durou um bom tempo. Os bons tempos sempre acabam. Hoje, uso mocassim. Estes também são bons tempos. Daqui a pouco passarão como tudo sempre passa.

A moda está em todos os lugares. Não só nas roupas e adereços. As ideologias e religiões também permanecem como últimos gritos por algum tempo, até a fatídica substituição. Houve uma época em que as religiões orientais estavam no auge, aqui no ocidente. De repente todo mundo descobriu os ensinamentos de Sidarta Gautama. Ser budista era bem mais interessante do que ser evangélico ou ortodoxo. E assim, o mundo parecia mais zen. Só parecia.

Nas ideologias, a mesma coisa. Nos anos 70, uma parcela de jovens (na maioria de classe média) lutava por ideais, veneravam Che como um santo e pregavam a liberdade, em todos os sentidos, circunstâncias e perigos. Passou. O legal, nos dias de hoje é apoiar todos os tipos de pensamentos, virar ateu, fumar maconha (ou achar o máximo quem fuma), usar óculos retro, calça coronha, e votar no Serra.

O deputado e pastor Marco Feliciano aparece nas páginas dos jornais diariamente. Ele, pelo fato de ser contra ao casamento de homossexuais, de afirmar que Deus derrubou o avião que levava os Mamonas Assassinas e acreditar na inferioridade da raça negra, causa furor na cabeça dos intelectuais meramente entendidos. É realmente um paradoxo uma pessoa com tal perfil assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Como esse cara poderá lutar, por exemplo, pelos negros ou gays, já que ele nitidamente sente repugnância por estas pessoas? Lascou!

Interessante é que muitos safados estão presidindo outras comissões importantes na Câmara Federal enquanto respondem por crimes hediondos. Na minha concepção, lavar dinheiro, roubar milhões de reais da merenda escolar ou cagar para a saúde pública é tão grave quanto ser homofóbico ou querer transformar o nosso estado laico em teocracia.

Gostaria de ver alguns políticos da falsa esquerda brasileira sofrendo represálias (pacíficas) do povo. Nós nos acostumamos com a tão natural corrupção. É inadmissível o preconceito racial, sexual e religioso. Inadmissível! Mas é aceitável e até conveniente que o Genuíno perambule por ali. Ou que o Maluf ressuscite dos mortos em períodos pré-eleitorais, ou que o Zé Dirceu relaxe no facebook. Isso pode.

Creio que, mais cedo ou mais tarde, Feliciano não aguentará a pressão. Não dá para continuar. É melhor ele voltar a pregar, já que ser deputado (na vida de um ser humano) se assemelha mais a um título do que a um cargo sério. O povo brasileiro deveria fazer manifestações acirradas assim em outras comissões, onde bandidos cuidam de assuntos importantes como se estivessem limpando a bunda.

Mas ser contra a político corrupto é brega. Já foi moda. Hoje os revolucionários são exércitos de um homem só. A onda agora é lutar pelos homossexuais e ser indie, o que é um grande avanço. Louvável avanço! Só não sei até quando isso vai durar. Que seja verdadeiro enquanto dure. Os desejos de mudança são tão passageiros… Hoje All Star. Amanhã mocassim. 

 

Twitter @DiegoSchaun

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