Copa de 2014: O Brasil se prepara para jogar as cinzas embaixo do tapete.


 

As pessoas teimam em ser iguais. Querem ser iguais. Adoram ser iguais. Qual seria o motivo, razão ou circunstância de tal desejo? O anel que Bilbo encontrou? As ameaças da Coréia do Norte? A Daniela Mercury? O bigode do Levy Fidelix? O quê, gente?

É igualdade demais para meu saco cheio. Ninguém aguenta mais esse lance de Direitos Humanos. Não funciona. É um elefante branco no meio da sociedade. No meio do mundo. No meio de nós.

Entretanto, existe um povo que se acha mais igual do que os outros. Sim, são os brasileiros. Nós temos uma veneração pela igualdade social e franciscana exacerbada. São tantas ONGs, núcleos, projetos, igrejas, sociedades, irmandades, templos, comissões… Será que existem pessoas mais comprometidas com o espelho do que nós? É igualdade de mais, minha gente. Só no papel.

O Brasil se prepara para os grandes eventos de 2014 e 2016. E por sinal estes anos serão eleitorais! O gol do Neymar precisa afastar da cabeça das pessoas a consciência do voto, que vem logo em seguida, nos acréscimos do segundo tempo. Mas tudo está sob controle. Os estádios já cheiram a cal e os gringos já estão acampados na frente dos estádios. Ah, como é bom o Brasil! Bom o caramba!

A nossa ficha está tão suja lá fora que dá até vergonha. A visão estrangeira de que somos tupiniquins foi melhorada. Agora somos tupiniquins selvagens, no sentido estrito e no sentido lato.

Nossa, esse texto não podia ser mais anacrônico? Chato, né? Mas é real. A chatice é sempre real. Porque as coisas boas são legais, mentirosas, aparentes, todavia rápidas.

Será que em 1 ano o governo conseguirá mudar a cabeça dos trombadinhas que furtam carteiras? O que a polícia do Rio de Janeiro e de São Paulo fará para combater a criminalidade? O mundo estará aqui em 12 meses. Não podem estuprar outra gringa. Não podem bater no casal italiano. Não podem roubar o Iphone do americano. O mundo saberá do nosso segredinho. A CNN saberá de nossos pecadinhos. E agora?

Gente, matar nossos pais e filhos, estuprar suas tias e primas e outras coisinhas são atividades normais do nosso cotidiano. Acostumamos-nos a apanhar. Nosso celular tem tempo de vida útil, em nossas mãos… Ah, pra quê falar disso? Hoje é sexta-feira, dia de cerveja. Que venham os gringos para a Copa. Quem deve mil, deve dez mil. Sujar um nome que se lambuza na lama é redundante demais para a correria do mundo.

Três pessoas morreram nos EUA nesta semana. Terrorismo? Grupos extremistas? Jovens aloprados? Vai saber… A América chora! A América se compadece! A América ajoelha pra rezar pelas 3 pessoas que morreram na fatídica maratona. Até eu chorei. Chorei de desgosto. Com todo respeito às famílias que perderam seus entes nesta recente catástrofe, a América precisa chorar por outras coisas!

Onde estava Obama quando milhares de pessoas morreram nas enchentes de verão, aqui no Brasil? Será que fizeram procissões ou orações em Massachusetts no início do ano?A América chorou por nossos mortos? Não, a América cagou! A América foi ao McDonald’s no final de semana. A América silenciou.

Se vocês pensam que meu textinho barato quer alguma mudança, erraram em cheio. Só vomitei mesmo. Daqui a pouco me alimento com alguma besteira e o mal estar passa. Afinal, se a gente consegue ignorar milhares de mortes diárias que acontecem nesses conflitos orientais (liderados pelos EUA), por que esses leves presságios iriam tirar nosso sono? Amém pra vocês.

 

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