Assassinos só vão para a cadeia se não pagarem pensão!


 

Todos os dias as mortes brincam diante de nossos olhos atentos. A morte brinca conosco, com Liesel, com o vizinho, com meu amigo, com os ventríloquos que perambulam por aí… A morte brinca de matar os outros. Brinca de esconde-esconde. Brinca de morto-vivo. Vivo-morto. Vivo ou morto?

Essa é a grande dúvida que permeia a cabeça das pessoas. No passado, os povos esperavam pela chuva e um dia ela vinha, lavrando a terra seca de lágrimas, renovando a esperança das pessoas. A chuva era a expectativa. A fé era a expectativa. O jogo era a expectativa. A expectativa era a expectativa. Mas agora é tudo diferente. Não existe expectativa de vida. Ou vida da expectativa?

Quem liga a TV aberta no fim de tarde já sente o cheiro de ferro. Mas não é ferro. É sangue. São tantos crimes, estupros, assassinatos, à mão armada, desarmada, roubo seguido de morte, morte seguida de roubo, à sangue frio, quente, morno, enfim, as hemácias viajam em sinal UHF e digital. As emissoras sensacionalistas colocam depoimentos marcantes em delay. Vamos ouvir os tiros. Agora o grito da vítima. Mais uma vez, só que mais alto, de outro ângulo, em câmera-lenta, agora corta pra mim! Tô mentindo?

Pior, tudo isso é real. As pessoas estão morrendo mesmo. Não estamos em nenhuma guerra (por enquanto), não há indícios de pandemia, fome mundial, chuva de gafanhotos, peste negra, erupções vesuvianas, ou dança de placas tectônicas. Claro, a África padece e não é novidade. A Antártica derrete e não é novidade. A Coréia do Norte tem complexo de inferioridade e não é novidade. A Xuxa posou nua e não é novidade… Mas tudo isso é real. Os homens estão se matando e não há solução, só contenção. Que contenção? A cadeia.

Os moleques estão atirando em nossas cabeças, com precisão, como se fôssemos patinhos de tiro ao alvo. Não somos patinhos. Somos gente. No parque a gente acerta um pato e ganha um urso de pelúcia cheio de ácaros. Os moleques que estão atirando em nossas cabeças ganham Ipods, vinte reais e o bem mais valioso, a liberdade. Sentir-se livre é bom demais. Ser livre e fazer o que quiser é melhor ainda. É melhor, ainda. Os bandidos querem virar reis. Todos os dias nascem milhares de Luíses XIV. Reis sóis. Absolutos. Impunes. Livres.

E nós? Ah, a gente fica aqui, escrevendo crônicas e contando os passos que o Rogério Ceni andou naquele pênalti. Nós continuamos aqui, olhando para o Felipão com desconfiança. A gente ainda está aqui, à toa na vida, olhando a banda passar sem prestar atenção nos divorciados políticos que vivem em nova lua de mel. Afinal de contas, 2014 vem aí!

No Brasil, só fica preso quem não paga pensão. Nada mais justo. Cafajestes que se esquecem dos filhos merecem perder a liberdade. Falta grave. Cartão vermelho! Só não entra na minha cabeça o fato de assassinos não passarem nem 48 horas no xadrez. Vidinha mole essa de matador, não é? Essa punição imediata e persistente de pais esquecidos ajudou a melhorar e muito a falta de responsabilidade dos pais de família. Não é a solução, mas é uma contenção eficaz.

Já pensou se os assassinos e demais bandidos também fossem presos imediatamente após o crime? Já pensou se não existisse fiança ou flagrante? Já pensou na melhoria? Já pensou em reis depostos? Já pensou no fim do império? Já pensou na paz? Já pensou no amanhã? Vivo ou morto? Depende da polícia, da justiça, de Deus… Creio que Ele não anda muito satisfeito com o mau uso do livre arbítrio. E amanhã? Quantos patinhos irão passear, além das montanhas para brincar? Hein Xuxa?

 

Twitter @DiegoSchaun

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