Vereadores do Brasil: Males necessários.


Uma vez ouvi alguém dizer que nascer é como morrer. Ou isso ao contrário. A gente nunca se lembra de tudo, quando se é pequeno. Os psicólogos afirmam que tudo fica gravado no inconsciente. Mas é tão difícil abrir a cabeça para vasculhar papéis velhos… Ninguém consegue se lembrar do trigésimo dia de vida.  Ninguém consegue reviver o cheiro do primeiro banho. Ninguém. Aliás, existe um seleto grupo que faz tudo e mais um pouco. Os edis nossos de cada dia.

O mundo precisa de ordem e progresso para injetar esperança nos idiotas. Todos têm esperança. O futuro já começou, na festa dos outros. O time campeão é o do vizinho. Nós não estamos entre os dez mais, e os coordenadores da sociedade continuam criando coisas desnecessárias.

Está tudo tão fácil. Tudo nas mãos. Tudo no todo. Todos por nenhum. Nada por nada. Pastores guardando lobos e ovelhinhas lutando por pastos amarelos. Sim, leitor, eu sei que às vezes não faz sentido, e essa é a intenção. Esse é o objetivo de 90% dos vereadores do Brasil. Ganhar o nosso dinheiro por quatro anos para no último mês formar um time sem elenco que perderá todas as partidas.

Muitas vezes, estas pessoas que elegemos e que esquecemos logo em seguida, riem de nós. Sentem câimbra no maxilar de tanto gargalhar da nossa ingenuidade. Porque nós somos bons. A gente não mija na plantinha. A gente não chuta o cachorro. A gente não fala alemão. A gente dá carona. A gente chora por defuntos alheios. A gente acha o máximo a volta de Saramandaia. A gente vai à quermesse. A gente reza. A gente dorme. A gente esquece.

Em São Paulo, por exemplo, leio e releio os projetos dos caras e não encontro nada de importante ou extraordinário. Mas, pra quê criar algo extraordinário se já existe música fácil pra dançar em festas baratas?

Mas eles precisam da câmara e nós também. Porque tudo já funciona assim há anos. Quando você nasceu já era assim. Ou você vai querer lutar por algo diferente? Nah… A gente tem mais o que fazer, não é? Tem sim.

Afinal de contas, ninguém fiscaliza nada. Se a polícia não prende os traficantes, por que o edil olharia com cuidado a administração pública? Eu, por exemplo, não me preocupo com isso. Limpar o pó dos meus instrumentos é mais importante. Só me preocupo com meu bigode e as palhetas que caem dentro do violão. O resto é diferença. Aprendi isso na segunda série.

Caro leitor, não estou com raiva nem desgostoso da vida. Acredito na força dos fracos. Acredito nas novas caras. Acredito na novidade. Acredito na idoneidade dos rostos desconhecidos. Só que os palhaços estão saindo do circo. Os pastores das igrejas e os atores dos palcos. Vamos fazer de tudo um pouco, mas abraçar tudo deixa o tudo pouco. Escasso. Pobre, e as coisas ficam chaboqueiras.  

Muitos irão dizer que sou anarquista. Não, longe de mim. Adoro hierarquias. Adoro eleições. Adoro votar. Escolher um fiapo de palha num mar de agulhas… Isso é muito bom. Já passei da fase de vestir camisas com o rosto do Che ou de ouvir Renato Russo para acreditar que não existe razão nas coisas feitas pelo coração. As pessoas boas que estão na política do Brasil são lutadoras por causas perdidas.

Twitter @DiegoSchaun

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