SUS: Um sistema único de saúde.


 

Eu, que gosto de fazer música, adoro ouvir a música dos outros. Na maioria das vezes, tudo o que as pessoas querem dizer, eu também quero dizer, mas uso outras palavras, às vezes mais garbosas, só pra dizer que também estou com fome e não quero qualquer comida.

Os profissionais da autoajuda pregam que o individualismo devora o mundo. Pura mentira. A gente ama o outro. Dá a vida pelo próximo. Se preocupa com os problemas do vizinho. Soluça soluções para pedintes, apaixonados e moribundos. Tá no sangue. Ou na língua.

Por isso as pessoas se candidatam, porque no fundo querem resolver alguma coisa. O SUS foi criado para isso. Pra alguma coisa. Ainda não se sabe para quê, mas um dia descobrirei.

A história deste serviço, de sua criação, fim e percalços todos já sabem. Se realmente o SUS foi criado para ajudar o povo a morrer sem tanta pressa, foi um sucesso. Bendito aquele que criou tudo isso.

Dizem que a pior sensação que um ser humano pode sentir é a fome. Eu acredito que seja a dor. Mas a fome também dói, logo, dá no mesmo. Chegar ao hospital com fome ou dor ou padecendo de qualquer infortúnio é uma situação muito comum em nossa frágil vida. Todos dependem dos hospitais. Da febre ao câncer, todos passam por lá. E neste local, onde o alento deveria existir, o descaso reina, ditando as regras aos tentáculos que só dizem: Sim, Senhor. Não, Senhor. Que pena, um dia eles adoecerão.

Todos falam de igualdade e blá blá blá, mas as piores coisas são destinadas aos pobres. Até o caixão do pobre é mais barato. As armações de óculos populares são horríveis, porque são populares e amém por isso. A saúde, como é de se esperar, tem que ser popular. Para pessoas pobres, médicos pobres. Para pessoas desprovidas, hospitais tetânicos. Para olhos paupérrimos de paz, atenções vãs… O facebook é mais importante do que a criança chorando.

Claro que o problema é bem maior. Ninguém é criança aqui. O salário dos profissionais de saúde é uma miséria. E quando isso afeta em cheio os tentáculos, tudo fica miserável, porque o dinheiro move tudo. Sem ele somos miseráveis. A gente só vale o que o dinheiro vale. Particularmente acho isso lindo. Vivo no Brasil do tio patinhas. Sonho com a Disney e sou um pateta que dança em campos minados.

Sabe o que vai acontecer? Nada. Porque toda vez que tentamos solucionar os problemas alheios a gente se ferra. Adoramos dar conselhos. O caminho do outro é muito mais fácil de percorrer. A gente supera a AIDS do outro. A gente entende a fatalidade do outro. A gente dá a volta por cima com a falência do outro. A gente administra os bens dos outros. A gente só não sabe o que fazer com tanta solução. Só soluçar.

Este texto, por exemplo, não fará diferença alguma no eixo da terra. Não chegará aos ouvidos da Dilma. Não chegará aos ouvidos de meu avô. Não será capa de jornais monetários. E melhor, não resolverá o problema do SUS, porque ele é popular. E tudo o que é popular tem que ser ruim. Não tem graça uma sociedade de iguais. A gente precisa de ricos e de pobres. De nobres e desgraçados. Afinal, tem que existir alguma miséria para soluçarmos soluções para os outros. A gente sempre passa no vestibular do outro, mas nossa vida real é uma repescagem. 

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