Nó górdio, X-salada sem alface e pessoas que morrem.


 

Pessoas que morrem? Um tanto redundante isso, não? Bem, vejamos… Ah, parágrafo.

E então morreu o rei da Frígia. Não deixou filhos. O oráculo do lugar anunciou que o herdeiro do trono chegaria à cidade num carro de bois. Por acaso, passava por ali um pobre camponês, chamado Górdio, montado num carro de bois. O coitado, sem saber de nada, acabou se tornando rei, pois encenou a profecia. Górdio, o então novo rei, para não esquecer as raízes humildes e sua “moeda da sorte”, amarrou o tal carro de bois no templo de Zeus para que nunca se esquecesse do passado frugal. Ele fez um nó tão bem amarrado que ninguém conseguia desatá-lo. Daí a expressão “Nó Górdio”.

Na verdade eu acho que tudo isso foi tramado. Górdio devia ter combinado com o oráculo. Ambos sairiam ganhando. Górdio virou rei e o oráculo ganhou fama. Quanto ao nó, este também não cola. Talvez por medo ou por fama ninguém tentasse desatar o nó. Até que Alexandre, da Macedônia, passando por ali resolveu de uma vez o problema. Passou a espada na corda, (500 anos depois de Górdio fazer o nó) e acabou com a lenda.

Por que essa lorota toda? Pra nada. Só mais uma tentativa frustrada de fazer analogias que não existem. Uma utopia, que não encanta mais. Burocracias demais e a solução, que é fácil, não acontece. Ou seja, os dois primeiros parágrafos não serviram pra nada. Mas pelo menos você, que por acaso não conhecia a história do nó, passou a entender o significado do ditado popular “cortar o nó górdio”. Será que entendeu mesmo?

Talvez você, leitor, tenha entendido tudo isso e até se emociona com essa luta com as palavras, mas nossos Midas, em Brasília, ainda não entenderam. A saúde do nosso país é uma merda. Quão vergonhoso é assistir ao noticiário e visualizar crianças e velhos deitados em corredores de hospital porque alguém responsável por tudo isso pediu X-salada sem alface e acabaram esquecendo de retirar o alface, na hora de preparar. Pela raiva de comer alface, este alguém deixou à míngua um hospital.

Ou você, leitor, acha que as mazelas que acontecem no país só acontecem por alguma justificativa importante? Jamais! Pense bem, as desgraças que explodem no Brasil, só ocorrem por alguma idiotice, ou falta de zelo de alguém, ou uma sacanagem, ou dinheiro que surge em contas bancárias do nada, ou alfaces em X-salada sem alface, por favor.

Não dá para entender uma nação como a nossa. Tão burocrática em assuntos objetivos e dispersa no que realmente merece atenção. Grande parte da população está preocupada. Ninguém é tão idiota assim. Só que nesse feudo atual, os servos são letrados. Mas, de que vale ser letrado? As crianças continuam sem atendimento. Os prefeitos e deputados continuam desviando descaradamente as verbas como se fôssemos cegos. Estão errados? Nem um pouco.

E mais uma vez eu perdi meu tempo escrevendo. E você lendo. Porque, se tudo que a gente faz não ajuda em nada, então não vale à pena. Entretanto, eu corro o risco de ficar igual ao chefe do hospital que deixou o povo morrer por causa do X-salada sem alface com alface.

Você deve estar se perguntando: Quem foi esse cara do alface? Esse cara, leitor, não existe. Ainda. Só estou profetizando, para fazer como o oráculo da Frígia. Vou ficar famoso. O cara vai ser malhado na mídia como um Feliciano qualquer e quiçá, daqui a uns 200 anos apareçam alguns Alexandres com a mesma cara do Suplicy, vestido de Che, com os óculos do Joaquim Barbosa e com o cabelo do Luan Santana. Esse será o super-herói do Brasil. Mas só em 2213. Meus tetranetos verão o nó górdio do Brasil ser cortado, para que as burocracias inexistam em momentos de total eficiência. Daqui a 200 anos, desejo do fundo do coração, que ninguém morra nos hospitais por falta de leito. Ou que as autoridades cuidem de uma cidade como cuidariam da própria mãe…

Eu sei, caro leitor, que existem filhos que deixam seus pais no asilo. Eu sei. A maioria deles governa nossas cidades.

Twitter @DiegoSchaun

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