Sobre as pessoas que vivem dos sucessos momentâneos.


 

Boa parte das pessoas que fazem o mundo ser o mundo não tem a menor noção de que fazem algo importantíssimo. E isso é muito bom. Porque todo mundo muda a estratégia do jogo quando acha que vai perder. Todo mundo muda quando acha que vai perder.

Algum espertinho implantou na cabeça de alguns bobões a ideia da vitória. Ganhar ou ganhar. E essa meta de vida fajuta encontrou terreno fértil em mentes pedregosas, áridas de saber e pobres de caráter. O mundo pede a vitória individual. O sucesso. O sucesso absoluto. O sucesso do momento.

E qual é o sucesso do momento? Lepo lepo ou a banana do Daniel Alves? Os dois. E a carência midiática é tão grande que novecentas mil crônicas, reclamações e textos foram escritos sobre o ato de racismo contra o jogador brasileiro ou a crítica social da música Lepo lepo. A questão é: Por que as pessoas só falam das mesmas coisas sempre?

Tudo funciona de forma mecânica, no mundo. E a pobreza cultural vem se alastrando diariamente. Muita gente ainda morre de fome. E muita gente ainda morre por falta de cultura e continua vivo, mesmo morto.

Ora, o conformismo destrói os neurônios das bestas. Gostaria de saber de que forma viveria a mídia se o mundo fosse um marasmo. Se não existisse assunto. Se não existisse nada. Se dia após dia o sol só nascesse. Como a mídia viveria? Possivelmente bem. Porque até na ausência de um deus o homem o fabricaria.

As pessoas, principalmente as crianças e jovens, absorvem essas ninharias musicais que surgem de tempos em tempos com uma facilidade assustadora. Sabe-se que o Governo Federal obriga os professores a aprovarem alunos analfabetos. O Brasil precisa mostrar números bons na educação, para não ficar atrás de Serra Leoa ou Butão.

Lepo lepo entra na cabeça como um número bom. As piadinhas de macaco também. Quanto tempo durará essa “canção”? Quantos dias a tag #todossomosmacacos ficará entre os tópicos mais comentados das redes sociais? Sim, poucas semanas. E isso é grave. Mas é a salvação. Será que as pessoas não percebem que são manipuladas por uma mão invisível chamada “bestialidade”? Muitas questões. Muitas.

Vestir o que dita a música. Dançar a dança do momento. Comentar sobre o que todos estão comentando. Cadê a graça de ser original? Onde ficou o tesão do ineditismo? Ninguém deseja uma juventude que apenas leia clássicos romanos e ouça Chopin. Basta ouvir e ler. E isso já é muito.

Esta questão resume tudo: Será que eles não se incomodam em viver uma vida de momentos? Não. Eles não se incomodam. Elevam as sandices aos altares da glória e depois enterram os heróis em covas fundas. Os que agora falam de bananas e ouvem Lepo lepo (nada contra a canção, muito menos ao Psirico e seu cantor Marcio Victor, um excelente percussionista, diga-se) esquecerão da música em poucos dias. As bananas também irão apodrecer no cacho. E isso será tido como normal. Pois é comum ignorar a joia rara obsoleta quando esta se torna obsoleta.

Por isso que essas pessoas, as que realmente fazem o mundo acontecer como mundo cão, consumista, vitorioso e momentâneo, não devem saber que são tão responsáveis assim. A não ser que sintam que estão perdendo o jogo. Poderão, neste caso, modificar a estratégia para ganhar a partida e enfim perdê-la. Porque é na derrota dos alheios que acontece a apoteose dos sérios desiludidos. Mas isso só acontece de momentos em momentos. E agora não é o momento. Por enquanto eu já não sei o que fazer. Se eu sou o macaco ou vossa mercê.

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