Sobre mim


Diego Schaun (Sé, São Paulo)

Talvez, escrever sobre si mesmo seja uma das coisas mais difíceis. Ainda mais quando “si mesmo” é o  protótipo da inconstância, quase uma dízima periódica. A maior prova disso é ter iniciado o texto com uma  locução adverbial de dúvida, talvez. Objetividade passa longe de mim. Melhor começar do começo. Me  chamam Diego Schaun e eu respondo. Tenho 21 anos, sou baiano e curso história. Toco piano desde os nove  anos de idade e escrevo desde bem novo também. Não sei se houve uma evolução nesses anos. Decorei  algumas palavras garbosas para preencher lacunas de insatisfação, mas no fundo tudo o que eu dizia antes  continua a ser dito em cada poema ou música que escrevo. É como se eu estivesse indo rumo ao retorno. Dá  para entender? Eu sei, também já me aceitei como um teimoso que faz conclusões sem nenhuma conclusão.  Venho de uma família muito religiosa. Esse “religare” criou as bases de minhas relações sociais. A busca por  Deus, pelo amor, pela paz, pela caridade e por justiça corre no meu sangue desde quando ainda boiava no  líquido amniótico.  Não sigo signos. Porém, segundo eles, sou um aquariano que tem características bem  marcantes como a inconstância. Acertaram. Desde pequeno eu sonhava 365 profissões diferentes por ano.  Apesar de meus planos de ser astronauta ou jornalista naufragarem, persisti na poesia e na música.  Profissões não tão interessantes para a sociedade. Quem é interessante para a sociedade? Quem quer ser?  Como se a sociedade fosse alguma coisa. E é. É alguma coisa. Pelejo na poesia e na música. Faço por prazer.  No final de 2008, depois de três anos escrevendo músicas para mim mesmo, gravei minha primeira canção. Rei Papel. Tinha uma idéia primitiva de fazer um duo, semelhante ao duo Pouca Vogal. Chamar-se-ia Mais Além. Eu cantava, tocava viola caipira, violões, gaita e piano. Ao mesmo tempo meu grande amigo Fágno (Fá) tocava guitarra, viola caipira, violão… Seria um revezamento. Fizemos um único show. Foi bom enquanto durou. Em seguida, no início de 2009 gravei Todos por Nenhum. Fiz uma brincadeira com o lema mosqueteiro numa música calma, numa levada de piano semelhante, mas ao mesmo tempo distante de “Vivo por Ella” do Andrea Boccelli. Pode ser que só eu tenha tido essa impressão.

 Esse advento da internet me proporcionou uma grande interação com as pessoas, de forma que eu poderia expor o que eu penso facilmente para correr riscos. Sinto uma euforia maluca em correr riscos. Sim, riscos de críticas, elogios… Isso é bom. É ótimo.

Persisti nas gravações e em Maio, gravei por acaso, uma música que compus dez minutos antes de ir ao estúdio. Era Mentes Conturbadas. Levada Folk, solo fácil, refrão pegajoso… Pegou. As rádios da região começaram a tocar e no momento de início de carreira, onde só se tocam grandes clássicos, Mentes Conturbadas chegava em minhas mãos escrita em guardanapos. Nunca saiu do repertório. Nem tão cedo sairá!


Em 2010, depois de gravadas todas as músicas montei o que seria meu primeiro disco, intitulado Carpe Diem. Treze faixas com músicas um pouco rudimentares, melodias simples, misturas estranhas, voz dobrada e muita poesia.  Fiz o show de lançamento no dia 14 de Maio de 2010, na minha querida cidade Camacan, sul da Bahia. Foi um divisor de águas (para mim).

Atualmente, gravei 10 músicas inéditas, com objetivo de montar um novo trabalho. Ainda estou no trabalho. No tempo certo vai aparecer. Porém, o “single” desse trabalho já está sendo divulgado. A música chama-se Paradoxo. Compus em 2009, e nunca mais havia cantado desde o dia em que escrevi. Pensei em gravá-la no Carpe Diem,  mas resisti. Acho que chegou a hora.

Costumo dizer que sou um cosmopolita musical. Ouço de tudo. É normal encontrar no meu celular a discografia completa de Alceu Valença ladeada de discos clássicos como o “Dark side of the Moom” de 1973 do Pink Floyd ou o primeiro álbum de Elliott Smith, o “Roman Candle” de 1994. Além, obviamente, de tudo referente aos Engenheiros do Hawaii e toda a obra gessingeriana.

Os instrumentos são membros invisíveis do meu corpo. Necessito deles. Não passo mais que 24 horas sem dar um acorde no violão. Carência total.

Meu amor à poesia nasceu desde o dia em que li em cinco dias toda a obra de Castro Alves. Simplesmente eu vi que fazer versos, sonetos, decassílabos era a coisa mais legal do mundo. Quem escreve sabe o que estou dizendo. Ao final de um poema, quando assino meu nome no papel, sinto algo bem interessante. Imagino que tenho o mapa da mina de todos os segredos do mundo. Ainda bem que essa sensação dura dez minutos. Após a euforia, percebo que tenho apenas mais uma peça do quebra-cabeça. E quebra a cabeça mesmo. Depois de dez minutos são apenas folhas que caem ao chão. Viveram por hora. Morrem agora.

Virada Cultural de SP 2011

Junto com a poesia surgem os dois pilares de minhas convicções. Filosofia e História. Pensar no caos, em mim e no outro é um passatempo mais legal do que qualquer inovação do jogo Wars, ou caça-palavras do nível mais difícil. Questionar é viver. Aceitar é perder-se na apatia. Busco o passado. Pelo menos o que chegou até nós. Esse papo de ver os erros de ontem para acertar amanhã é neurose. Pelo que tenho visto, é melhor pensar nos acertos de outrora com nostalgia para esquecer a guerra diária do mundo. Fuga? Nenhuma. Também sou amigo do saber e quero saber. Não tenho diplomas. Quem tem aí? Não sei quase nada. Quem sabe? Você? Então me ensina.

Não queria me alongar nesse texto. Acho que consegui. Não tenho muito para falar de mim. Quem me lê, me conhece. Quem me ouve, talvez desconheça. Quem me enxerga, me vê. Minha voz é a de quem lê.

Diego Schaun, 22 de Abril de 2011

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12 comentários sobre “Sobre mim

  1. Poxa cara, conheci seu trabalho a 3 meses mais ou menos e voc ja esta entre meus preferidos aki sempre que posso estou ouvindo e vendo seus novos trabalhos parabens e sucesso porque voce merece !
    Uma abraço mesmo de longe torceno por voce como posso.

  2. Nossa Diego, foi por acaso que lhe encontrei na net, mas bendita seja, fascinante te conhecer em detalhes.. Parabéns!! ganhou uma admiradora em todo seu trabalho como músico, poeta, escritor, pessoa.. Muito sucesso, merecido, pra vc!!! Adoro conviver e aprender com pessoas que fazem a diferença! Beijos

  3. Você como sempre surpreendente, inteligente, provocador na medida certa. Te admiro como homem, amigo, companheiro. Te admiro e sou tua fã enquanto cantor, músico, compositor, poeta, historiador e agora cronista. Você é um talento desde sempre… Quando ainda substância informe no ventre de tua mãe. “Coisa Linda” é conhecer você, talento nato e surpreendente a cada dia, a cada verso, a cada canção. Sucesso é promessa certa de um futuro muito próximo… Logo ali, aqui, agora, já! ♥

  4. Desde muito cedo me sinto um pouco órfã de pessoas instigantes que me levem a pensar, a refletir, a contemplar o belo, que traga algo novo a minha vida, e por um acaso hoje te encontrei, um video no orkut de um primo levou a outro e outro e em minutos estava eu a ouvir suas músicas, vendo entrevistas, lendo poemas e cada vez mais fascinada, e então vem a minha mente a música do Lenine “Ninguém faz ídéia de quem vem lá” porque para mim foi uma grata surpresa reencontrar o menino timido por trás dos óculos colega das aulas de ensino religioso, e ver que estes ainda o acompanham, mas que ele não é o mesmo, hoje é um artista das letras, da música, sinto falta disso na nossa geração espero que possas influenciar muita gente principalmente da nossa idade, parabens, sucesso
    você está no caminho, evolui sempre mas não perca a essência

  5. Vendo os comentários, percebo que todos que aqui reconhecem o trabalho de um grande escritor … Eu poderia dar várias denominações de seu talento nato, mas minhas palavras são escassas para tal ação … ( Todos aqui já disseram tudo … o que mais eu poderia dizer … )
    Muito sucesso. E saiba que ganhou mais uma fã – Ana Marx

  6. Afinal, quem é perfeito? somos errantes e viventes. Feliz de quem ousa na vida. cada dia é novidade. persistir numa imagem, no prototipo perfeito é bobagem. Ousadia, isso, te definiria assim: ousado. é de tudo um pouco, é mesclado aos acordes das notas que te fazem acordar e numa felicidade só gritar ao mundo: bom diaaaa… vitorias todos os dias para voce. Alegria a nossa ter um talento desnudado como voce por aqui nesses dias.

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